quarta-feira, 15 de agosto de 2018

A disseminação da informação jornalística nazista



No dia 14 de abril de 1943, escrevendo em seu diário sobre a guerra que o governo nazista fazia contra a liberdade da imprensa, Joseph Goebbels, que havia sido jornalista, escreveu: "Qualquer homem que ainda tenha um resíduo de honra tomará todo cuidado para não se tornar jornalista".

Quando Hitler subiu ao poder em 1933, a Alemanha tinha uma infra-estrutura de comunicações bem desenvolvida: mais de 4.700 jornais diários e e semanais, com uma circulação total de 25 milhões de exemplares, eram publicados anualmente naquele país, mais do que em qualquer outro país industrializado. Embora Berlim fosse considerada a capital da imprensa alemã, era nas cidades pequenas que havia a maior circulação de jornais (81% dos jornais alemães tinham proprietários nas regiões onde eram publicados e distribuídos). No entanto, oito jornais publicados nas cidades maiores tinham uma reputação internacional estabelecida. A indústria do cinema da Alemanha estava entre as maiores do mundo; seus filmes eram aclamados mundialmente, e os alemães foram os pioneiros no desenvolvimento do rádio e da televisão.





Estabelecendo o Controle sob a imprensa



Quando Hitler assumiu o poder, em 1933, os nazistas controlavam menos de 3% dos 4.700 jornais alemães. A eliminação de sistema político multi-partidário não apenas levou ao fim de centenas de jornais produzidos pelos partidos destituídos, mas também permitiu que o estado confiscasse gráficas e equipamento dos partidos Comunista e Social-Democrata, que com frequência criticavam diretamente o Partido Nazista. Nos meses seguintes, os nazistas estabeleceram o controle e passaram a exercer influência sobre os órgãos da imprensa independente. Nas primeiras semanas de 1933, o regime nazista posicionou o rádio, a imprensa e os curtas-metragens para provocar o medo da iminente "ascensão dos comunistas" e depois canalizou a ansiedade do povo através de medidas políticas que erradicavam a liberdade civil e a democracia.

Em apenas alguns meses, o regime nazista destruiu a imprensa livre, que antes fora muito vigorosa. Em 1941, a editora do Partido Nazista, havia se tornado a maior da história alemã. Seu jornal principal , com circulação diária, o Völkischer Beobachter (Observador Nacional) chegou a atingir uma circulação de mais de um milhão de exemplares.




Esse jornal que Hitler havia comprado para seu partido em 1920, anunciava assembléias e dava outras notícias aos membros … e estendeu o alcance do Partido para além das fronteiras das cervejarias e das assembléias do Partido. A circulação cresceu paralelamente ao sucesso do movimento nazista, iniciando com uma tiragem de 120.000 exemplares em 1931 e chegando a 1.7 milhões em 1944. Editado pelo redator anti-semita e ideólogo nazista Alfred Rosenberg, o jornal era especializado em hipérboles curtas sobre os temas favoritos dos nazistas: a humilhação sofrida pela Alemanha quando da assinatura do Tratado de Versalhes, a fraqueza do parlamentarismo na República de Weimar, e a crueldade do mundo judaico e do bolchevismo – contrastando estes temas com slogans patrióticos nazistas.

Os Novos Caminhos da Propaganda: Cinema, Rádio e Televisão


Os nazistas entenderam como utilizar o poder de atração das tecnologias então emergentes, como o cinema, os auto-falantes, o rádio e a televisão, a serviço da sua propaganda. Essas tecnologias ofereceram aos líderes nazistas mais uma forma de disseminação de suas mensagens ideológicas, sendo também um veículo para reforçar a invenção da Volksgemeinschaft, i.e. a Comunidade Nacional alemã, através de experiências auditivas e visuais direcionadas ao público "germânico".

Após 1933, os serviços de rádio alemães passaram a transmitir os discursos de Hitler para residencias, fábricas e até mesmo pelas ruas da cidade através dos auto-falantes. Os oficiais do Ministério da Propaganda, sob o controle de Goebbels, compreenderam como o rádio era imensamente promissor para a difusão da propaganda. O Ministério investiu maciçamente na produção de um radio barato, o Volksempfänger , i.e. Rádio do Povo, para aumentar as vendas. Em 1935, cerca de 1.5 milhão desses rádios haviam sido vendidos, conferindo à Alemanha um dos maiores públicos de ouvintes do mundo.

Em 1935, a Alemanha se tornou a primeira nação a introduzir o serviço de televisão regular. Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda, viu o enorme potencial desse tipo de mídia para a divulgação da propaganda nazista, embora acreditasse que a melhor opção eram as exibições coletivas como no cinema ou no teatro.

Trechos extraídos de <https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10007821>
Acessado em 15/08/2018

A propaganda Política nazista



"A propaganda política busca imbuir o povo, como um todo, com uma doutrina... A propaganda para o público em geral funciona a partir do ponto de vista de uma idéia, e o prepara para quando da vitória daquela opinião". Adolf Hitler escreveu tais palavras em 1926, em seu livro Mein Kampf , no qual defendia o uso de propaganda política para disseminar seu ideal de Nacional Socialismo que compreendia o racismo, o anti-semitismo e o anti bolchevismo.

Após a chegada do nazismo ao poder em 1933, Hitler estabeleceu o Ministério do Reich para Esclarecimento Popular e Propaganda, encabeçado por Joseph Goebbels. O objetivo do Ministério era garantir que a mensagem nazista fosse transmitida com sucesso através da arte, da música, do teatro, de filmes, livros, estações de rádio, materiais escolares e imprensa.

Existiam várias audiências para receber e assumir as propagandas nazistas. Os alemães eram constantemente relembrados de suas lutas contra inimigos estrangeiros, e de uma pretensa subversão judaica. No período que antecedeu a criação das medidas executivas e leis contra os judeus, as campanhas de propaganda criaram uma atmosfera tolerante para com os atos de violência contra os judeus, particularmente em 1935, antes das Leis Raciais de Nuremberg, e em 1938, após a Kristallnacht, quando do fluxo constante de legislação anti-semita sobre os judeus na economia. A propaganda também incentivou a passividade e a aceitação das medidas iminentes contra os judeus, uma vez que o governo nazista interferia e "restabelecia a ordem" (derrubada pela derrota alemã na 1ª Guerra Mundial).

A propaganda nazista também preparava o povo para uma guerra, insistindo em uma perseguição, real ou imaginária, contra as populações étnicas alemãs que viviam em países do leste europeu em antigos territórios germânicos conquistados após a Primeira Guerra Mundial. Estas propagandas procuravam gerar lealdade política e uma “consciência racial” entre as populações de etnia alemã que viviam no leste europeu, em especial Polônia e Tchecoslováquia. Outro objetivo da propaganda nazista era o de mostrar a uma audiência internacional, em especial as grandes potências européias, que a Alemanha estava fazendo demandas justas e compreensíveis sobre suas demandas territoriais.


Após a Alemanha haver quebrado o Pacto Ribentrof, que havia assinado, e invadido a União Soviética, a propaganda nazista passou a dirigir-se aos civis dentro do estado alemão, e aos soldados e policiais alemães que serviam nos territórios ocupados, bem como a seus auxiliares não-alemães, inventando um elo entre o comunismo soviético e o judaísmo europeu, e apresentando a Alemanha como defensora da cultura "ocidental" contra a ameaça "Bolchevique". Esta propaganda também mostrava uma imagem apocalíptica do que aconteceria caso os soviéticos ganhassem a Guerra e foi aumentada após a derrota catastrófica da Alemanha em Stalingrado, Rússia, em fevereiro de 1943. Este enredo serviu como instrumento para persuadir os alemães, nazistas ou não, além de colaboracionistas estrangeiros, a lutarem até o final.

O cinema, em particular, teve um papel importante na disseminação das idéias do anti-semitismo racial, da superioridade do poder militar alemão e da essência malévola de seus inimigos, como eram definidos pela ideologia nazista. Os filmes nazistas retratavam os judeus como seres "subhumanos" que se infiltraram na sociedade ariana; em 1940, por exemplo, o filme de 1940, “O Eterno”, dirigido por Fritz Hippler, que retratava os judeus como parasitas culturais ambulantes, consumidos pelo sexo e pelo amor ao dinheiro. Alguns filmes, como “O Triunfo da Vontade”, de 1935, de Leni Riefenstahl, exaltava Hitler e o movimento Nacional Socialista. Duas outras obras de Leni, “O Festival das Nações” e “Festa da Beleza” (1938), mostraram os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936, promovendo o orgulho nacional com o sucesso do regime nazista naqueles Jogos.


Jornais alemães, principalmente o Der Stürmer, O Tufão, publicavam caricaturas anti-semitas para descrever os judeus. Depois que os alemães deflagraram a Segunda Guerra Mundial com a invasão da Polônia, em setembro de 1939, o regime nazista utilizou propagandas para causar a impressão de que os judeus não eram apenas sub-humanos, mas que eram também perigosos inimigos do Reich alemão. O regime buscava obter o apoio, ou o consentimento tácito, da população alemã para as políticas que tinham como objetivo a remoção permanente dos judeus das áreas onde viviam alemães.

Durante a implementação da chamada Solução Final, i.e. o extermínio em massa de judeus, os soldados das SS nos campos de extermínio forçavam suas vítimas a apresentar uma fachada de normalidade em ocasiões em que vinham visitas ou em que tiravam fotos e filmavam os campos, chegando ao ponto de obrigar os que iam para as câmaras de gás a enviar cartões-postais para amigos e parentes dizendo que estavam sendo bem tratados e que viviam em excelentes condições, criando assim a fachada de tranqüilidade necessária para deportá-los da Alemanha, e dos países por ela ocupados, da forma menos tumultuada possível. As autoridades dos campos usavam a propaganda para acobertar as atrocidades e o extermínio em massa que praticavam.

Em junho de 1944, a Polícia de Segurança alemã permitiu que uma equipe da Cruz Vermelha Internacional inspecionasse o campo-gueto de Theresienstadt, localizado no Protetorado de Boêmia e Moravia (hoje República Tcheca). As SS e a policia estabeleceram Theresienstadt, em novembro de 1941, como um instrumento de propaganda para consumo doméstico no Reich alemão. O campo-gueto era usado como uma explicação para os alemães que ficavam intrigados com a deportação de judeus alemães e austríacos de idade avançada, de veteranos de guerra incapacitados, ou artistas e músicos locais famosos para "trabalharem" "no leste". Na preparação para a visita de 1944, o gueto passou por um processo de "embelezamento". Depois da inspeção, as autoridades das SS no Protetorado produziram um filme usando os residentes do gueto para demonstrar o tratamento benevolente, que os "moradores" judeus de Theresienstadt recebiam. Quando o filme foi finalizado, as autoridades das SS deportaram a maioria do "elenco" para o campo de extermínio Auschwitz-Birkenau.

O regime nazista até o final utilizou a propaganda de forma efetiva para mobilizar a população alemã no apoio à sua guerra de conquistas. A propaganda era também essencial para dar a motivação àqueles que executavam os extermínios em massa de judeus e de outras vítimas do regime nazista. Também serviu para assegurar o consentimento de outras milhões de pessoas a permanecerem como espectadoras frente à perseguição racial e ao extermínio em massa de que eram testemunhas indiretas.

Extraído de <https://www.ushmm.org/wlc/ptbr/article.php?ModuleId=10005202>
Acessado em 15/08/2018

domingo, 12 de agosto de 2018

A grandeza de Roma e a necessidade de controlar a Plebe


O chamado período imperial da história romana é a terceira e ultima fase de sua história, que se divide em três dentro da historiografia tradicional sendo elas determinadas pelas características sócio-políticas da época em questão. Após o golpe de Julio César e com o fim das guerras civis que sucederam este momento observa-se em Roma o acumulo cada vez maior dos poderes políticos nas mão dos imperadores. O controle exercido pela cidade sobre praticamente todo o mundo mediterrâneo, o êxodo rural verificado desde o período republicano e o consequente aumento populacional transformaram a capital imperial em um verdadeiro barril de pólvora, com agitações sociais, miséria e violência em escalas antes impensadas. 

O texto abaixo, de autoria de Emerson Santiago, expõe de maneira clara a situação na qual a parte mais pobre da população vivia em Roma e a estratégia utilizada pelos governantes para mante-la até certo ponto sob controle.

"A política do Pão e circo (panem et circenses, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Esta frase tem origem na Sátira X do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento.

Com a sua gradual expansão, o Império Romano tornou-se um estado rico, cosmopolita, e sua capital, Roma, tornou-se o centro de praticamente todos os acontecimentos sociais, políticos e culturais na época de seu auge. Isso fez naturalmente com que a cidade se expandisse, com gente vindo das mais diferentes regiões em busca de uma vida melhor. Como acontece até hoje em qualquer parte do mundo, pessoas humildes e de poucas condições financeiras iam se acotovelando nas periferias de Roma, em habitações com conforto mínimo, espaço reduzido, de pouco ou nenhum saneamento básico, e que eram exploradas em empregos de muito trabalho braçal e pouco retorno financeiro. 

Esses ingredientes, em qualquer sociedade são perfeitos para detonarem revoltas sociais de grandes dimensões. Para evitar isso, os imperadores optaram por uma solução paliativa, que envolvia a distribuição de cereais, e a promoção de vários eventos para entreter e distrair o povo dos problemas mais sérios na fundação da sociedade romana.

Assim, nos tempos de crise, em especial no tempo do Império, as autoridades acalmavam o povo com a a construção de enormes arenas, nas quais realizavam-se sangrentos espetáculos envolvendo gladiadores, animais ferozes, corridas de bigas, quadrigas, acrobacias, bandas, espetáculos com palhaços, artistas de teatro e corridas de cavalo. Outro costume dos imperadores era a distribuição de cereais mensalmente no Pórtico de Minucius. Basicamente, estes "presentes" ao povo romano garantia que a plebe não morresse de fome e tampouco de aborrecimento. A vantagem de tal prática era que, ao mesmo tempo em que a população ficava contente e apaziguada, a popularidade do imperador entre os mais humildes ficava consolidada.

Para os espetáculos eram reservados aproximadamente 182 dias no ano (para cada dia útil havia um ou dois dias de feriado). Os espetáculos que foram se desenvolvendo em cada uma dessas férias romanas, tinham sua origem na religião. Os romanos nunca deixavam de cumprir as solenidades, porém não mais as compreendiam e os festejos foram deixando de ter um caráter sagrado e passando a saciar somente os prazeres de quem os assistia."




O coliseu ainda resiste em Roma, mesmo após milênios de história.



O Coliseu era a principal arena da cidade de Roma. No auge do império, até 50.000 pessoas lotavam as arquibancadas para assistiram as lutas de gladiadores e demais competições e eventos.

A Guerra do Peloponeso

Possivelmente um dos conflitos mais devastadores de que se tem notícias ocorrido no mundo grego foi a luta entre os próprios gregos pela hegemonia da Hélade. Ocorrida no século V a.C, entre 431 e 404, colocou em campos opostos as duas principais Pólis gregas do momento, Atenas e Esparta. 
A guerra foi o resultado das disputas e da rivalidade entre as Pólis gregas, principalmente após as Guerras Médicas. O desequilíbrio geopolítico causado pelo crescimento exagerado da Liga de Delos, capitaneada por Atenas, e as respostas Espartanas a essa situação que entendia como ameaçadora colocaram em rota de colisão as duas cidades-estado. 

Embora o contexto histórico seja muito diferente, alguns pontos comparativos podem ser estabelecidos com o período da guerra fria. A disputa entre duas super potências pela hegemonia política, econômica e militar; a formação de alianças militares compostas por Estados de menor importância que gravitam ao redor das duas super potências rivais e a tendência de ambas a influenciar os Estados que buscam uma posição de neutralidade no contexto em questão são algumas das semelhanças encontradas. Entretanto o que se destaca não são as semelhanças entre os dois momentos históricos e sim a grande diferença entre eles, cada metro quadrado das terras gregas foram marcadas pelos 27 anos de conflitos entre Atenas e Esparta enquanto que a guerra fria se manteve, para o bem da humanidade, fria.

As consequências do conflito para a Grécia foram imensas. Uma nova organização de forças ocorreu após o termino das hostilidades e a vitória espartana. A Hélade estava arrasada, antigas cidades haviam perdido importância enquanto outras como Corínto assumiam posição de destaque. A Grécia passaria por tempos turbulentos após a vitoria espartana, com novas rivalidades entre as Pólis surgindo e um enfraquecimento geral de toda a região. Esparta não gozaria de uma hegemonia absoluta após sua vitória.

A Guerra do Peloponeso foi ostensivamente registrada e detalhada pelos gregos Xenofonte em sua obra Helênicas e por Tucídides ao longo dos oito volumes da sua História da Guerra do Peloponeso. Abaixo segue a obra de Tucídides, boa leitura! 




A Guerra do Peloponeso não foi travada apenas na Grécia, mas sim por toda a Magna Grécia, com importantes campanhas ocorrendo em lugares            tão distantes quanto a ilha da Sicília.