segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Incêndio no Museu Nacional





No ultimo domingo, dia 02 de Setembro de 2018 um incêndio de grandes proporções irrompeu no interior do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, e rapidamente transformou em cinzas uma parte valiosíssima da história nacional e mundial. O museu, que contava com um dos maiores acervos do mundo foi reduzido a cinzas. A instituição era reconhecida internacionalmente devido a sua importância mas infelizmente não possuía o mesmo reconhecimento por parte das autoridades brasileiras. 

Anos consecutivos de redução de verbas e contenção de "despesas" abriram caminho para a catástrofe. Nos últimos meses os visitantes podiam observar fiação exposta, paredes danificadas e outros sinais de deterioração da estrutura física do museu. O edifício centenário deveria contar com  medidas eficientes e modernas para que tragédias do tipo fossem prevenidas ou na pior das hipóteses, rapidamente controladas. No entanto, nem mesmo os hidrantes estavam em funcionamento. 

É fácil e comodo para as figuras políticas, em especial as que disputam neste momento a presidência da república estufarem o peito afirmarem que, se forem eleitos jamais permitirão que coisas semelhantes ocorram, pois investirão em cultura, destinarão verbas para o IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - e zelarão pelo patrimônio histórico nacional. No entanto, longe dos holofotes e palanques, a verdade é que dos treze candidatos concorrendo ao pleito de 2018 apenas dois, Mariana Silva (REDE) e Lula (PT) abordam especificamente a questão dos museus.

O país segue seu curso negligenciando sistematicamente seu passado ou travestindo-o segundo os sabores políticos do momento. Quem paga é a sociedade como um todo. Oque ocorreu no Rio de Janeiro no ultimo domingo não foi um caso isolado. Na ultima década incêndios danificaram ao menos oito edifícios culturais como museus, teatros e institutos. Ao acervo inglório de "acidentes" soma-se o incêndio no Memorial da América Latina em 2013; no Museu da Língua Portuguesa em 2015 e a trágica destruição, também pelas chamas, do Instituto Butantan em 2010. Apenas para citar alguns casos. 

Nesse momento, enquanto lamentamos a perda de nossa história, muitos outros pontos culturais no nosso país estão em situação de risco pelos mesmos motivos que ocasionaram o triste espetáculo de domingo passado, como o Museu Casa da Hera, também no Rio de Janeiro, que se encontra em situação precária.

Os divindades que exigem de nós, em holocausto, a nossa memória, identidade, esforço intelectual, orgulho e dignidade são os deuses da ganância, ignorância e mesquinhez.  

Quanto do nosso passado ainda será queimado? 








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